sábado, 30 de maio de 2015

Mensagem

Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.

Roberto Shinyashiki

Sarau


SARAU NA ESCOLA

PROPOSTA DE AÇÃO
Realizar saraus periódicos na escola como estratégia para atrair as famílias, valorizando os talentos culturais presentes na comunidade.

CONTEXTUALIZAÇÃO
Sarau é um evento cultural onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se  manifestarem artisticamente. A palavra tem origem no termo latino serus (relativo ao entardecer), porque acontecia, em geral, no fim do dia. Pode envolver dança, poesia, círculos de leitura, seção de filme, música, bate-papo filosófico, pintura, teatro etc.
Muito comuns no século XIX, os saraus vêm sendo resgatados e reinventados pelas escolas como uma maneira de fortalecer a identidade da comunidade escolar, promovendo a integração de todos de forma descontraída, criativa e mais envolvente do que a tradicional reunião de pais.
É um momento para a soma conhecimentos, descobertas e vivências coletivas.
Ao promover esses encontros, a Unidade Escolar ultrapassa seus muros e se fortalece como um pólo cultural da localidade. As famílias passam a se reconhecer na escola, o que acaba por ter um impacto muito positivo no envolvimento delas com os estudos dos filhos.
Além disso, o sarau é também um momento de tomada de consciência, pois a cultura desperta a sensibilidade das pessoas para a realidade à sua volta e as estimula a refletir sobre ela a partir de outras linguagens.

COMO EXECUTAR
 Marcar uma reunião para compartilhar a ideia com a  direção da escola, o grupo de professores e o Conselho Escolar (caso exista). Se  for bem recebida, formar uma comissão organizadora.
 A Comissão Organizadora deve então preparar uma reunião de planejamento, na qual devem ser definidos os objetivos e as características do evento, o horário, as tarefas necessárias à sua realização e os responsáveis por cada uma delas.
 Os saraus podem acontecer bimestralmente, sempre com um tema diferente que reflita os desejos e a realidade local.
 Mapear os grupos e artistas locais e convidá-los a participar.
 Levantar os equipamentos necessários para a realização das atividades e procurar parceiros que possam emprestá-los.
 Planejar a ambientação da escola segundo o tema de cada sarau. A decoração pode ser feita pelos alunos, como trabalho de sala de aula.
 Criar estratégias de mobilização da comunidade, como convites para enviar às famílias e cartazes para espalhar pela escola e em outros pontos do bairro. Um grupo de alunos pode criar um “convite falado” e apresentá-lo na saída das aulas.
Convidar os funcionários da Unidade de Negócio e o grupo de agentes-chave para que também possa compartilhar conhecimentos e vivências com os alunos, participando ativamente das atividades.

QUEM PODE EXECUTAR
Mobilizadores, agentes-chave, professores, alunos e representantes do Conselho de Escola.

DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE
Obs: a atividade pode ser adaptada conforme a realidade local e os conhecimentos prévios do mobilizador sobre o assunto.
As atividades do sarau devem ser planejadas de acordo com os interesses e talentos locais.
Apresentamos algumas sugestões:
1Mesa de livros
Selecionar livros da biblioteca da escola (e outros doados/emprestados por parceiros) espalhá-los sobre uma mesa grande. Os convidados sentam em  volta e ficam livres para folheá-los, copiar trechos ou ler alto para o grupo. A única regra é que os livros não saiam da mesa.
Algumas sugestões de autores: Cecília Meireles, Cora Coralina, Vinícius de Moraes, Eva Furnari, Tatiana Belinky, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mário Quintana, entre outros.
2Exposição de artistas locais
Os artistas locais são convidados a se expressarem, nas suas diferentes linguagens, sobre o tema do sarau. Os trabalhos ficam expostos no pátio da escola.
3. Recital de poesia
Os participantes podem se inscrever para declamar poemas (de sua autoria ou não). Para esta atividade, é interessante que alguns professores proponham oficinas de criação de poesias previamente, em sala de aula.
4. Quintal de brincadeiras
Convidar membros da comunidade a organizar um espaço onde possam ensinar para as crianças brincadeiras de sua época. Outra ideia é criar um “cantinho mágico”, onde podem acontecer oficinas de construção de brinquedos com sucata.
5Momento de liberdade poética e musical
Espaço aberto para que qualquer pessoa possa apresentar algo que tenha interesse em apresentar na hora.
6. Exposição de arte
Murais onde podem ficar expostos desenhos, pinturas e outros trabalhos de arte visual feitos pelos alunos em sala de aula. 
7. Oficina de cordel
Há algum cordelista no bairro? Convide-o a fazer uma oficina de criação de cordéis, que depois podem ficar expostos num varal.
8Roda de contação de histórias
Professores, funcionários, pais ou mesmo alunos mais velhos podem conduzir esta atividade, voltada para as crianças. Sentadas em roda, elas ouvem a história contada pelo adulto e devem continuá-la, imaginando novos rumos para a trama. Em seguida, elas podem criar livros ilustrando a história. Para isso basta entregar folhas de sulfite dobradas ao meio e giz de cera. Eles podem ser finalizados grampeando ou amarrando um barbante na lombada.
9. Seção de cinema
Reservar uma das salas da aula (ou a própria sala de vídeo da escola, caso exista) para passar filmes que tenham relação com o tema do sarau. Ao final de cada seção, promover uma discussão sobre o assunto.
10 Memória viva
Rodas de conversa com moradores antigos do bairro, na qual os estudantes podem entrevistá-los sobre sua infância, seus tempos de escola, suas formas de diversão etc.
11Apresentações musicais
Convidar grupos locais a se apresentarem. Estipular um tempo ou número de músicas para cada um, orientando-os a se inspirarem no tema do sarau.
12. Oficina de artesanato
Membros da comunidade podem ensinar a fazer pequenos objetos de artesanato, de acordo com suas habilidades manuais.
13Brincando com poemas
Criar uma série de desafios com a escrita a partir  de poemas conhecidos. Alguns exemplos: completar lacunas com as palavras que estiverem faltando, entregar versos separados em pequenos pedaços de papel e pedir que o grupo junte-os para formar poesias, criação de rimas etc. Um grupo de professores pode ficar responsável por organizar esta oficina.
14. Teatro
Convidar grupos de teatro da escola ou comunidade local a montarem peças ou esquetes inspirados no tema do sarau.

RECOMENDAÇÕES
 Em cada sarau, deixar uma caixa de sugestões em local visível para que os convidados possam sugerir temas para o próximo encontro.
 Durante toda a organização do evento, é importante incentivar o trabalho em equipe, a auto-organização, a criatividade e a improvisação, além de trabalhar valores como cooperação, ética e solidariedade. O processo é muitas vezes tão importante quanto o produto final.
 O registro dos saraus pode ser feito pelos próprios alunos. Alguns podem tirar fotos, outros podem desenhar ou escrever relatos. Esse registro pode ser compartilhado em murais expostos na escola.
 As famílias podem ficar responsáveis por organizar  a área de comida, montando barracas de lanches e comidas típicas. O dinheiro arrecadado pode ser usado para fazer um caixa para o próximo sarau. 
 Além de ser um momento de descontração e resgate permanente da cultura popular, o sarau é também uma oportunidade de conhecer melhor o universo dos estudantes. Não perca a chance de usar isso como base para enriquecer o currículo da escola.  O sarau ganha mais significado se fizer parte do planejamento anual da escola e estiver integrado com as atividades de sala de aula.
O excesso de atividades pode complicar a organização do evento. Sempre que possível, promova a autogestão, deixando que os responsáveis  por cada oficina organizem o espaço e providenciem o material necessário.
 O sarau é uma oportunidade de fazer as famílias circularem pela escola. Por isso, procure espalhar as atividades pelos diferentes espaços: biblioteca, salas de aula, sala de leitura, quadra, sala de vídeo e outros locais normalmente esquecidos.
 O que garante o sucesso de um sarau é a participação efetiva dos convidados. Os coordenadores de atividades devem estar sempre atentos para motivar os mais tímidos.
 Fazer o registro da atividade e encaminhar o material (com fotografias) para ser publicado no Blog Educação.
Divulgar a atividade internamente na Unidade de Negócios, convidando os demais funcionários para prestigiar a escola.

OBSERVAÇÃO
A atividade aqui apresentada foi elaborada pelo Instituto Paulo Freire.


Feira de Ciências

Vários links para termos ideias de brincadeiras e usarmos na Feira de Ciências:

Atividades Educativas e Passatempos para imprimir e aprender de forma divertida com Caça-Palavras, Cruzadinhas, Labirintos, Sete Erros, Liga-Pontos, Enigma e muito mais!

http://www.tempojunto.com/2015/02/20/artes-e-brincadeiras-com-palito-de-picole/



Brincadeira de criança. Feira de Ciências - YouTube


www.youtube.com/watch?v=XQIoX-FoCnQ


Resgatando brinquedos e brincadeiras – Feira de Ciências


https://valdetep.wordpress.com/2013/08/14/resgatando-brinquedos-e-brincadeiras-feira-de-ciencias/


[as fontes seguem com os itens acima]

Artes com brincadeira

Brincando de amarelinha

I 

Será que vou amarelar

e não passar do inferno, 
se a pedrinha não resgatar?


II 

Quero chegar no céu!

Vou jogar a pedra longe, 
pulando com cuidado.
 

III


Dez quadrados em desafio, 
nos duplos parece fácil pular
 
Só complica no dois em um!
 

&&&
 

Santos/SP/Brasil
14/09/10


&&&

Técnica do Jogo da Amarelinha

(Pesquisa)
Para começar, basta desenhar no chão dez quadrados, conforme mostra a ilustração. O tamanho de cada um deles deve ser suficientemente grande para caber os dois pés de uma pessoa. Em cada ponta, deve ser feito um círculo: inferno, onde começa o jogo, e céu, onde ele termina.
As crianças (não há um número máximo de jogadores) fazem fila e a primeira deve atirar a pedra na casa de número 1, seguir todo o trajeto até o céu, retornar e resgatar a pedra. É preciso pisar com uma perna só nas casas individuais ou com os dois pés nas casas duplas. A ideia é ir, a cada rodada, atirando a pedra mais longe até que o alvo seja o céu. Se jogá-la fora do quadrado, pisar na casa onde ela está ou fora da linha, deve-se voltar para a anterior. Quem completar primeiro o jogo, ou seja, quem alcançar o céu, ganha.

[Fonte: http://bebe.abril.com.br/canais/dican/velhas-novas-brincadeiras.php]
[http://artesbrincadeiras.blogspot.com.br/2010/09/brincando-de-amarelinha.html]


Atividades criativa de brincar com os palitos

Ideias com palito - Quebra-cabeça     palito de picolé-montagem das formas palito de picolé - avião
fantoche palito de picolé - catapulta palito de picolé - tear de fitas
marcador de livro pro papai palito de picolé - flores com palito
[fonte: http://www.tempojunto.com/2015/02/20/artes-e-brincadeiras-com-palito-de-picole/]


Aula Educando Crianças de 0 a 2 anos.

Sugestão de brincadeira para crianças de 3 - 4 anos (fácil, barata e div...

Aula-Fora

Sugestões:
1) Livro com sugestões de brincadeiras.

                              


2) Brincar na areia faz bem


3) Pular corda além de brincadeira é um belo exercício



4) Jogar pião exige habilidade e visomotora
                            

5) E muitas outras brincadeiras

                                


[fonte: https://www.google.com.br/search?q=aula-fora+com+brincadeiras]
{samambaiagmail.blogspot.com}

Entrevista

Entrevista com Gilles Brougère sobre o aprendizado do brincar

Filósofo francês explica que o jogo é uma construção social que deve ser estruturada desde cedo. E o professor pode enriquecer essa experiência.

 "O brincar tem de se desenvolver em aberto, com possibilidades variadas. Quando todos sabem quem vai ganhar, deixa de ser um jogo." (GILLES BROUGÈRE)
                                                                                                                   
Sob o olhar de um educador atencioso, as brincadeiras infantis revelam um conteúdo riquíssimo, que pode ser usado para estimular o aprendizado. Gilles Brougère, um dos maiores especialistas em brinquedos e jogos na atualidade, entrou nesse universo totalmente por acaso. Desde o fim da década de 1970, o tema tornou-se objeto de estudo no grupo de pesquisadores em que ele atuava. Como na época não existiam investigações sobre a temática, Brougère vislumbrou o muito que havia para ser feito.
Desde então, ele pesquisa a cultura lúdica da perspectiva da sociedade na qual cada criança está inserida. É o contexto social, diz ele, que determina quais serão as brincadeiras escolhidas e o modo como elas serão realizadas.
Seus estudos indicam que os pequenos se baseiam na realidade imediata para criar um universo alternativo, que ele batizou de segundo grau e no qual o faz de conta reina absoluto. Graças a um acordo entre os participantes - mesmo os muito pequenos -, todos sabem que aquilo é "de brincadeira". Por isso, fica fácil decidir quando parar. Pelo mesmo motivo, um jogo não pode ser nem muito entediante nem muito desafiante ao ponto de provocar ansiedade.
No final de 2009, Brougère esteve no Brasil e conversou com NOVA ESCOLA, inclusive sobre a relação do brincar com a violência.


1          1.    Quais são as características básicas da brincadeira?
GILLES BROUGÈRE A primeira característica é a que se refere ao faz de conta. É o que eu chamo de segundo grau. Toda brincadeira começa com uma referência a algo que existe de verdade. Depois, essa realidade é transformada para ganhar outro significado. A criança assume um papel num mundo alternativo, onde as coisas não são de verdade, pois existe um acordo que diz "não estamos brigando, mas fazendo de conta que estamos lutando". A segunda característica é a decisão. Como tudo se dá num universo que não existe ou com o qual só os jogadores estão de acordo que exista, no momento em que eles param de decidir, tudo para. É a combinação entre o segundo grau e a decisão que forma o núcleo essencial da brincadeira. A esses dois elementos, podemos acrescentar outros três. Para começar, é preciso conhecer as regras e outras formas de organização do jogo. Além disso, o brincar tem um caráter frívolo, ou seja, é uma ação sem consequências ou com consequências minimizadas, justamente porque é "de brincadeira". Por fim, há o aspecto da incerteza, pois o brincar tem de se desenvolver em aberto, com possibilidades variadas. Quando todos sabem quem vai ganhar, deixa de ser um jogo (e, nesse ponto, é o contrário de uma peça de teatro, que também é "de brincadeira", mas que sabemos como acaba). 

2. O tema de sua pesquisa é a relação da brincadeira com a cultura
lúdica. Como definir esse conceito? 
BROUGÈRE A cultura lúdica são todos os elementos da vida e todos os recursos à disposição das crianças que permitem construir esse segundo grau. Ela não existe isoladamente. Quando a criança atua no segundo grau, mantém a relação com a realidade (o primeiro grau), pois usa aspectos da vida cotidiana para estabelecer uma relação entre a brincadeira e a cultura local num sentido bem amplo. Depois, os pequenos desenvolvem essa cultura lúdica, que inclui os jeitos de fazer, as regras e os hábitos para construir a brincadeira. Um bom exemplo são as músicas cantadas antes de começar uma brincadeira no pátio da escola. 


3. Essa cultura, portanto, é individual ou compartilhada? 
BROUGÈRE Ambos. Como toda cultura, ela se refere ao que é compartilhado e é isso que permite que uma criança brinque com outras. Cultura, numa definição muito rápida, é "tudo aquilo que compartilhamos". Então, para compartilhar uma brincadeira, é preciso ter uma cultura compartilhada. Ao mesmo tempo, porém, é preciso entender que cada criança, em função de sua história de vida, tem um jeito particular de lidar com as brincadeiras. Às vezes, ela conhece alguns jogos, mas não outros. Por isso, posso afirmar que existe também uma individualização dessa cultura, já que nem todos compartilham todos os elementos da cultura lúdica de uma geração. Alguns jogam videogames que outros nem conhecem. Da mesma forma, há diferenças entre as brincadeiras de meninas e de meninos. A cultura lúdica é a soma de tudo isso, considerando o resultado da vida de cada um. O fato é que a experiência lúdica não é a mesma para todas as crianças.

[fonte: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/desenvolvimento-e-aprendizagem/entrevista-gilles-brougere-sobre-aprendizado-brincar-jogo-educacao-infantil-ludico-brincadeira-crianca-539230.shtml]

Reportagem

A brincadeira é o próprio aprendizado

Mônica Cardoso

Uma caixa de papelão se transforma em automóvel. Depois, se torna boneca. E ainda vira berço. Nas mãos e na imaginação das crianças, frascos vazios, tampinhas de garrafas e folhas de árvores ganham vida e se transformam em brinquedos. Nessa brincadeira, é possível descobrir a si próprio, o outro e o mundo ao redor, de forma divertida e prazerosa. Algo tão simples e inerente à criança, mas que foi depreciado pelo modelo de educação vigente.

“A brincadeira é uma necessidade própria do ser humano. O brincar brota espontaneamente na criança, que desde bebê brinca com as próprias mãos, depois com objetos, explorando o mundo de forma própria, sem regras. É uma ação de autoconhecimento que permite fazer relações, reflexões e determinar coisas importantes para toda a sua vida. É por meio da brincadeira que ela cria, imagina, constrói imagens e memórias, se desenvolve corporal, cognitiva e emocionalmente”, diz Maria Lúcia Medeiros, coordenadora do Projeto Brincar.

O Projeto, que se iniciou em 2005, fruto da parceria entre o Cenpec e a Fundação Volkswagen, tem por objetivo a formação de professores da Educação Infantil de escolas públicas para sensibilizá-los sobre a cultura da infância e ajudá-los a rever suas práticas educativas. O Projeto é voltado para educadores que atuam com a faixa etária de 0 a 5 anos, mas algumas ONGs que atendem crianças maiores e adolescentes também participaram do projeto ao longo desses anos e inseriram as atividades lúdicas em seus programas, obtendo ótimos resultados.

“Muitos professores, depois de participar da formação, relatam que as crianças estão mais felizes porque estão brincando mais e com isso têm vontade de ir à escola. Por meio da brincadeira, elas adquirem conhecimento de si, ficam mais autônomas, criam e inventam mais, se relacionam melhor com os outros e aprendem coisas que levarão para o resto da vida. Para os professores, o Projeto Brincar proporciona mais leveza e alegria, porque muda o seu olhar em relação aos alunos e instiga a buscar soluções para as dificuldades que enfrentam. A escola ganha vida”, avalia Maria Lúcia.

O Projeto Brincar aborda a importância das brincadeiras e da vivência da infância, procurando transformar as práticas educativas. Ele vai na contracorrente de um modelo de educação que percebe o brincar como perda de tempo ou mero instrumento para aquisição de conteúdos curriculares. Esse modelo de educação também separa as crianças por faixas etárias, dificultando a interação e o rico aprendizado que se dá quando crianças de idades diferentes interagem. Isso se verifica especialmente quando se trata de bebês e crianças pequenas, que muitas vezes ficavam confinados em berços ou em espaços reduzidos, por conta da ideia de que são extremamente frágeis e necessitam de absoluta proteção.

O Projeto defende que a integração entre diferentes faixas etárias só traz ganhos. “Na escola onde trabalho, o Centro Educacional Unificado (CEU) Alvarenga, a integração é total. As crianças mais velhas acolhem os bebês de forma generosa, aprendendo que eles têm outro ritmo e outra forma de pensar. E os bebês aprendem com a linguagem dos maiores e suas formas de brincar”, diz Renata Cristina Dias Oliveira, coordenadora pedagógica da Prefeitura de São Paulo e membro do grupo gestor do Fórum Paulista de Educação Infantil.

A extensão do brincar a todo o período escolar seria uma boa saída para os horários rígidos e a falta de espaços voltados a brincadeiras nas escolas, que dissociam os momentos de brincar e de estudar. Além das brinquedotecas e do parque, todos os locais da escola poderiam ser utilizados. Afinal, as crianças constroem brincadeiras em qualquer lugar e a todo momento, mesmo que os adultos nem percebam.

“Nossa cultura adota uma concepção cartesiana, que separa corpo e mente, e isso se reflete na escolarização. Nesse modelo de ensino, o aprendizado é entendido como um processo cognitivo que só ocorre no ambiente escolar e é segmentado por disciplinas”, analisa Marcos Ferreira-Santos, professor de mitologia da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). Marcos acredita que nesse modelo predomina a reprodução do conhecimento baseado na memória. Já a brincadeira e a experimentação produzem o conhecimento e uma postura crítica.

No mesmo sentido, Renata reflete: “A nossa forma de pensar inclui a configuração lúdica e imaginativa, que é interligada à brincadeira. Um engenheiro, por exemplo, exerce uma profissão extremamente racional, mas ele projeta o que não existe e que começa na sua imaginação. Essa separação entre raciocínio e criatividade, imaginação e ciência, não faz parte do humano”.

Educadores entram na brincadeira
Um dos desafios à presença das brincadeiras na escola é a mudança na postura e no pensamento do professor, concebendo a educação de forma mais ampla e interdisciplinar. Muitas vezes, ele se vê oprimido pela cobrança, de gestores escolares e da família, de seguir uma rígida rotina escolar e um programapedagógico em que é preciso trabalhar os conteúdos estruturados e obter bons resultados. Ao reduzir a brincadeira a um instrumento de aprendizado, ela perde seu valor. É preciso desvencilhar o brincar da finalidade didática de transmitir conteúdo, já que ele é a própria forma de a criança aprender.

“A brincadeira é o aprendizado e a produção de conhecimento. A brincadeira não auxilia no aprendizado, ela é o próprio aprendizado. Se a pessoa não se arrisca a passar pela experiência, não tem como produzir conhecimento”, pondera o professor Marcos. “Hoje os professores acham que é bom ampliar o período do recreio de 15 minutos para 30 minutos. Isso é falso, porque as crianças deveriam brincar o tempo todo quando estão na escola”.

O educador pode construir e preparar o espaço brincante, estimulando as crianças, mas não pode prever quais brincadeiras serão criadas. Ele se integra a esse espaço, não de forma invasiva nem diretiva, mas sendo convidado a participar das brincadeiras. Muitas vezes, o educador pode acompanhar a distância, de forma indireta, para que, mais tarde, as crianças compartilhem com ele suas descobertas.

As brincadeiras são uma via de mão dupla, que fortalecem o relacionamento e nutrem educador e crianças. Ao brincar com as crianças, o educador participa da construção do conhecimento e é capaz de oferecer novas propostas. Ele pode trazer objetos para incorporar às brincadeiras ou propor algo que tenha feito parte da sua infância e que talvez as crianças não conheçam. O educador também pode estimular as crianças a trazer brincadeiras para compartilhar com o grupo.

“Nas minhas aulas na graduação, eu faço uma provocação e substituo a palavra ‘pedagogia’, que tem origem no grego e significa conduzir a criança, por ‘brincalogia’, que seria conduzir as brincadeiras. Isso para despertar a ideia de que educador e crianças podem brincar juntos na construção de um saber mais universal, que possa dialogar com os outros e com outras culturas”, observa o professor da FE-USP.

Tudo vira brinquedo
Os recursos utilizados nas brincadeiras são muitos e diversos: brinquedos, sucata, cantigas de roda, contação de histórias, música, dança, desenho, modelagem, entre outros. Bastar ter vontade e tempo disponível, pois as crianças sabem brincar e fazem isso muito bem.

“A brincadeira proporciona a integralidade das crianças, que se desenvolvem por inteiro. A brincadeira desenvolve a humanização, a criatividade, a interação com o outro, as linguagens, o enfrentamento das desigualdades, o poder de diálogo e negociação”, diz Renata. Entre outros aspectos, o brincar estimula a linguagem oral à medida que, durante as atividades lúdicas, a criança pode cantar uma música ou contar uma história, melhorando a comunicação.

A coordenadora pedagógica vê vantagens na utilização de objetos não estruturados, as chamadas “sucatas”, em substituição aos brinquedos prontos, pois favorecem o poder de criação e imaginação das crianças. Ao observar crianças brincando com esse tipo de objeto, percebe-se que o principal não é o brinquedo, mas sim o que se faz dele. Isso também ajuda a refletir sobre o excesso de consumo e as reais necessidades das crianças – são estas o desejo de possuir brinquedos que acabam de ser lançados ou a possibilidade de criar, fantasiar, se relacionar, construir seus enredos?

O brincar com objetos não estruturados também levanta a discussão sobre gêneros e etnias. “Por que há determinados brinquedos para meninos e outros para meninas? Por que os meninos não podem brincar de boneca? Brinquedo é brinquedo, não tem gênero. Mas os conceitos da nossa sociedade mercadológica permeiam as brincadeiras, que segmentam os brinquedos por gênero e por cor: rosa para as meninas e azul para os meninos.

Os objetos não estruturados também desconstroem a questão das etnias, já que os brinquedos femininos, por exemplo, geralmente reproduzem imagens de princesas brancas”, diz Renata. “Quando um frasco de amaciante se transforma em uma nave espacial, eu, como educadora, passo a compreender a forma de a criança pensar o mundo. Eu compreendo a criança pelo brincar, compreendo cada gesto e olhar, o que qualifica minha ação como professora.”

(fonte: http://plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem-detalhe/751/a-brincadeira-e-o-proprio-aprendizado.html)

Projeto

Brincar faz bem

 ♥ Os Benefícios do "Brincar" Para a Criança

 Tudo é Brinquedo (Sobre a capacidade de entretenimento da criança, que com uma simples caixa de papelão transforma a brincadeira num momento de magia e encantamento desenvolvendo sua ludicidade e criatividade)

 Como o "Brincar" Pode Estimular a Criança?
(A cada momento a criança descobre coisas novas, através da brincadeira ela internaliza diversas situações que podem lhe acompanhar pela vida toda. Por isso o "brincar" se faz fundamental na infância)

► Aprendendo a Viver, Brincando

♥ Sugestões de Brincadeiras

 Manual de Brincadeiras (Desenvolvido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, visa resgatar as brincadeiras e atividades antigas)

 Almanaque de Dinâmicas, Gincanas e Brincadeiras (Excelente para trabalhar com a Educação Infantil e Séries Iniciais)

 Brincadeiras para Festas Juninas (Corrida de Sapatos, Dança da Laranja, Carrinho de Mão entre outras)

 Brincadeiras e Dinâmicas ( Amarelinha, Passa Anel, Telefone sem fio e muitas outras brincadeiras de rua)

 Brincadeiras usando o espelho

 Jogos Recreativos Infantil

 35 Brincadeiras Educação Infantil

 Atividades para Socialização

 Brincadeira para requerir atenção das Crianças

 Jogo da Memória para Imprimir

 Cantigas de Roda - Recreação Infantil

 Brincadeira FAZ-DE-CONTA

 Brincadeira crianças de 2 a 3 anos

 Brincadeira MORTO-VIVO
(fonte: http://www.mundinhodacrianca.net/2009/08/conteudo-sobre-brincadeiras_14.html)